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¿Me enojo, luego existo?

Camilo E. Ramírez*

 

Los gritos son reacciones moralistas ante la angustia, impotencia o miedo que se experimenta.

Decimos “Reacciones moralistas” pues parten del supuesto deber ser/hacer que el otro tendría que encarnar, representar y sostener a cada paso de su vida. Así, si mi hijo, alumno, pareja, semejante, no hace tal o cual cosa, se desencadena una reacción de enojo en quien esperaba una realización ideal, sin fallas.

El enojado/a vive angustiado/a sintiéndose incomprendido/a, no es flexible ni se adapta a las circunstancias variables de la vida, solo va por ahí reaccionando y quejándose porque las cosas no son como DEBERÍAN ser.

Salir del enojo implica creatividad, invención y responsabilidad. “Un análisis lleva a una persona a estar lista para todas las circunstancias de la vida” (Jorge Forbes) Pasar una posición moralista a una creativa que amplifica posibilidades y convive con variantes. 

 




________________
*El autor es psicoanalista, psicólogo clínico. Catedrático en la Facultad de Psicología (UANL) en Monterrey, N.L. México. Consultor en escuelas, universidades y empresas.

 

 

 

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Breve espaço e Solvitur Ambulando* 

 

Camilo E. Ramírez 

 

Caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar

Antonio Machado

 

Em seu texto Sobre a transitoriedade (1916 [1915]) Sigmund Freud dialoga com um jovem poeta enquanto caminham pela montanha; ele tinha pedido análise a Freud, mas nesse tempo o pai da psicanálise não tinha tempo em Viena, então resolveu a questão fazendo a análise em suas férias, em passeios pela manhã.

Ao contemplar a beleza das obras da natureza, o poeta denuncia ao mesmo tempo a grandeza e a fragilidade da natureza, desejando que fosse de outra forma. Freud comenta:

O poeta admirava a beleza do cenário à nossa volta, mas não extraía disso qualquer alegria. Perturbava-o o pensamento de que toda aquela beleza estava fadada à extinção [...] Tudo aquilo que, em outra circunstância, ele teria amado e admirado, pareceu-lhe despojado de seu valor por estar fadado à transitoriedade (Freud, 1916 [1915])[1]

Freud argumenta que a transitoriedade em nada diminui o mais sublime da natureza, ao contrário, a amplifica. Mas, a dificuldade do poeta fez Freud se perguntar: Por que o poeta não pode desfrutar daquilo que ainda está vivo diante dele?

O jovem poeta nos faz lembrar um mecanismo muito usado: uma pessoa que toma consciência da sua condição humana (ser consciente da própria morte, do tempo de vida, de sua finitude necessária). E para proteger-se disso, ele renuncia ao momento presente, atirando-se a certo ponto futuro em que acreditaria mais seguro, achando que fazendo isso (aumento da consciência pessimista-realista) se tornaria imune ao sofrimento das peripécias e labirintos da vida, ao risco.

Não é isso a mesma coisa que está envolvida em toda vida humana? A questão da vida não é somente habitar um espaço que não se reduza a um tempo, como experimentam os animais, mas, precisamente a uma vida significativa, consciente e participativa, e não em piloto automático, cheia ou de muito passado ou de uma invasão angustiante do futuro. E que não é ruim por ser breve. Se nós amamos aquilo que já está marcado com a morte (Quem me ungiu a morte nas plantas de meus pés no dia de meu nascimento?[2]- diz o poeta mexicano Jaime Sabines) então amemos sem garantias, sem esforços do controle, incluindo o que não é calculado.

A ilusão de pensar que, se fosse possível nomear perfeitamente a priori aquilo que produz medo, isso traria mais segurança, é precisamente efeito da noção de regulação da vida, presente em muitos âmbitos (política, família, escola, empresa, amor, etc).  É crer que tudo na vida pode ser operacionalizado (reduzido a uma variável a ser medida) como se fosse uma linha de produção industrial, onde tudo deve ser planejado, predeterminado. Sendo assim, as surpresas e os riscos seriam calculados e reduzidos à sua mínima expressão para garantir a qualidade do produto, para depois, paradoxalmente, perguntar-se: Onde ficará a criatividade? Onde está o desejo? E ao final te propomos um curso de criatividade e, cúmulo dos cúmulos, te ordenamos: Seja espontâneo!

Ao viver achando que tudo na vida pode ser nomeado, que isso poderia ter algum efeito protetor, se faz como alguém que vai com medo a uma festa: fica trêmulo, só olhando e criticando os demais, por acha-los ridículos, sem participar da joia do encontro, Ele não participa, não se implica: “Nossa, do que me salvei! Salvei-me de fazer o ridículo!

Como os humus/humanos (Lacan, 1967)[3] podemos nomear a própria morte, corremos o risco de atraí-la, precipitá-la.  "...quem sabe finalmente o nome da morte corre o risco de chama-la e ela escutar" (Forbes, 2012)[4]

Essa mesma fragilidade e finitude, faz com que possamos nomear coisas, mas ao mesmo tempo desconhecendo muitas: amamos isso que se gera no encontro, no acaso, mas paradoxalmente, desejamos que se repita uma e outra vez, sabendo ou não, que essa pretensão burocrática-amorosa  pode amputar o amor, fazer que se atente contra ele. O amor é, sobretudo, encontro, liberdade e criatividade. Como pode então permanecer se estiver sujeito a fórmulas de controle e vigilância?

O real do momento que sustenta a vida, sem lógica, sem nenhuma lei, pode inquietar ao grau da gente renunciar ao seu movimento, querendo traduzi-lo ao imperativo da rotina e do protocolo. Todo bom nadador de águas abertas sabe que em caso de seu corpo seguir uma estratégia fixa, quadrada, forçada, vai ficar pesado, torpe; ao contrário, se ele quer nadar no mar, seu corpo deve tomar levemente o ritmo das correntes, deixar a onda o levar.

Já que a experiência do mar, como a vida, é a experiência da liberdade e do singular: não importa quantas vezes seja observado, cada detalhe, cada dobra é única e irrepetível. O horizonte se expande e não há um único ponto de apoio, de referência, mas muitos. A “onda” leva, guia, ensina e orienta, mas também pode angustiar, (como falou Nietzsche,[5]se a pessoa sente saudade da terra diante do peso da liberdade, que sempre será maior que do sacrifício e da submissão). E pode também ser mais divertida e criativa, pois ela demanda um movimento inédito para cada um de nós.[6] O ponto de menor padronização -fora da “caixa”- é o ponto de maior amplificação.

Essa invenção em Freud de fazer análise andando pelo campo, pela cidade, ter seus amados cachorros no consultório durante as sessões, não só é coisa esquisita de gênio.[7] A meu ver, uma posição diante da vida marcada pela consequência do tempo, da transitoriedade, respondendo ao inusitado com um ato criativo, diferente do poeta queixando-se pela curta duração da natureza. Como falou com humor, mas com clareza, a um outro paciente que queria pagar-lhe por adiantado algumas sessões: Se eu morrer, você vai pedir à minha família seu dinheiro de volta. 

 

 

Camilo E. Ramírez é psicanalista no México. Professor na Faculdade de Psicologia da Universidad Autónoma de Nuevo León (UANL) e consultor em Escolas e Empresas. Esta dirección de correo electrónico está siendo protegida contra los robots de spam. Necesita tener JavaScript habilitado para poder verlo.

*Artigo publicado originalmente no Newsletter O mundo visto pela psicanálise No. 195. (14/09/2018) do Instituto da Psicanálise Lacaniana (IPLA) em São Paulo Brasil. Ramírez, C.E. Breve espaço e Solvitur Ambulando  http://www.ipla.com.br/editorias/acontece/breve-espaco-e-solvitur-ambulando.html   http://www.ipla.com.br/editorias/acontece/breve-espaco-e-solvitur-ambulando.html  La versión en español puede consultarse en esta misma página en la sección Traducciones. 

 



[1]Freud, Sigmund(1916 [1915]) Sobre transitoriedade In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud v. XIV.Rio de Janeiro: Imago, 1976. p. 186.
[2]
Sabines, Jaime (1972) Poema de Doña Luz XXI. In. Antología poética. México: Fondo de Cultura Económica, 1994.
[3]
 Lacan, Jaques (1967) Otros escritos. Buenos Aires: Paidós, 2012.
[4]
 Forbes, Jorge (2012) Café Filosófico: Velhice, par que ter quero? Yotube: https://www.youtube.com/watch?v=B3IORTf-N_k Acesso setembro 2017.
[5]
 Nietzsche, Frederich (1888) A Gaia Ciência
[6]
Cf. Forbes, Jorge. Você sofre para não sofrer: Desautorizando o sofrimento pret a porte Baueri: Manole, 2014.
[7]Cf. Roazen, Paul Cómo trabajaba Freud. Comentarios directos de sus pacientes. Ediciones Paidos Ibérica, S.A. Buenos Aires, 1998.

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LA MUJER NO EXISTE

 

Camilo E. Ramírez

 

"La mujer no existe"  frase acuñada por el psicoanalista francés Jacques Lacan, refiriéndose a que "LA" mujer, un estándar universal, un patrón de una para todas, no existe, (ex- exterior; situ: lugar) sino que cada mujer es una a una. Al no haber un universal o generalizable, un único modelo de "la mujer", cada una puede inventar las formas propias y singulares, de pautar su vida. Que esto no quiere decir, sin responsabilidad, ante lo inventado singularmente.

 

Por supuesto esto a lo largo de la historia ha sido considerado como una libertad que no deben tener las mujeres, de ahí que se les castigue reduciéndolas a un deber ser, plagado de conceptos y definiciones, de pre-juicios: “Una niña debe…”; “Si hace tal o cual cosa no te van a tomar enserio…”, "Ya no debes hacer tal o cual cosa porque ahora eres madre, y una madre debe…” (coloque usted todo lo que ha leído, oído, dicho al respecto) donde la maternidad sería vista como un castigo de la feminidad, un “Ahora ya te amolaste”, cuando la misma es una opción que alguien puede o no tomar, que más que un castigo, es una experiencia a ser explorada e igualmente inventada; tampoco existe el universal de “Ser madre” cada una, crea su posición, como con cada hijo/a, uno a uno, la madre es una a una, requiere una implicación, una puesta en juego del propio deseo.

 

El deseo singular es siempre inquietante, peligroso, subversivo, pues no está dado por una moralidad o calidad de vida, del estilo, un solo elemento (teórico, político, religioso, médico, psi) para todos, a fin de supuestamente garantizar “salvarse” del error, dejar de asumir la vida como una apuesta y un riesgo, constantes. Así como no hay “la mujer” no hay “la verdad” absoluta.

 

Cada uno/a puede enfrentarse con eso imposible de ser nombrado en su ser y existencia, y en vez de “tomar algo” ciegamente como eje de vida, hacer lo mismo del montón, crear algo singular a partir de las experiencias que vive.

 

 


 

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Ese “cáncer” llamado deseo

 

Camilo E. Ramírez

 

¿Quiere usted lo que desea?

Jorge Forbes

 

El cáncer es, curiosamente, un exceso de vida, las células no paran de multiplicarse, amenazando al mismo tiempo la vida en quien se realiza.

De igual forma, toda vida humana y el deseo que la habita,  en tanto trastrocamiento de todo orden natural, de la pura vida-biológica, poseen algo en común con el cáncer, su carácter limitado-ilimitado, el deseo, de la impotencia a lo imposible. Pero, a diferencia del cáncer, el deseo amplifica en un sentido creador de vida singular, donde cada sujeto se ve confrontado con eso incomprensible del propio deseo.

El cáncer puede ser entendido/aceptado por quien lo padece y por los suyos, mientras que el deseo siempre pose algo incomprensible, un enigma, un núcleo duro que escapa a toda comprensión tanto para sí como para los demás, y por lo tanto puede incomodar, ya que apunta a esa dimensión a la que Jacques Lacan llamó, lo Real.

Pensemos en una situación concreta: un padre de familia convoca a su familia para comunicarles una noticia. Su familia, responde con prontitud al pensar que se trata de una mala noticia, “Las malas noticias vuelan” –reza el dicho. Cada uno se genera expectativas y supone muchas cosas. A pesar de ser entre semana y tener que trabajar al día siguiente, acuerdan verse a las 20hrs. en la casa, “Todos sin falta, nos vemos en la casa mañana, reunión con papá, quien sabe que traiga” escribe la hermana mayor en el grupo de WhatsApp.

Sentados en la gran sala, adornada de cientos de recuerdos enmarcados[1]. Comunica que efectivamente, desde hace tiempo siente algo raro en la espalda, lo que motivó una consulta médica, estudios minuciosos, que finalmente arribaron al diagnóstico de cáncer de pulmón. Situación que está además ya muy avanzada, con metástasis en diversas zonas del cuerpo. Los médicos pronosticaron algunos meses, con suerte, quizás, pueda alcanzar hasta un año de vida.

Todos se estremecen ante la noticia. Preguntan muchas cosas, lloran, se compadecen; algunos otros, motivados por un arrebato de optimismo, niegan la situación, se ponen creativos: buscar una segunda o tercera opinión, consultar a los mejores médicos, modificar radicalmente los hábitos de vida, una a una las historias de curaciones repentinas son citadas en auxilio de mejorar la atmosfera familiar, quien dice todo eso segura que funcionará, que papá se restablecerá, volverá a tener su vida de vuelta; mientras otros, incrédulos, no saben qué decir, están en shock.

Antes de despedirse, proponen estar más unidos, llamarse y verse más seguido, creyendo –sin tenerlo del todo claro- que “lo emocional” afecta, de seguro  mejorará, si todos estamos más unidos, seguro de algo servirá. Ahora todas las opciones son buenas, las buenas vibras, la oración, la unión…seguro sumarán y harán la fuerza, todos están de acuerdo.  

Pensemos en otro escenario alternativo, todo transcurre de la misma manera, un padre convoca a una reunión extra-ordinaria para comunicarles a sus hijos una noticia, cada uno genera sus expectativas, inspirados por el miedo que surgió por el tono formal de su padre, todos se dan cita lo más pronto posible.

Después de las formalidades y saludos cordiales, agua, café o algo más fuerte para pasar el rato, todos guardan silencio expectantes a que su padre comunique lo que tenga que decir, lo más pronto posible. Sentados en la gran sala, adornada de cientos de recuerdos enmarcados[2]. Comunica que desde hace tiempo ha pensado en renunciar a su trabajo, tomar sus ahorros, vender la casa en la que todos nacieron y se criaron, para ir a vivir a la playa, por lo que les pide su apoyo en ese nuevo proyecto de vida.

Desea vivir en un lugar que en sus últimas vacaciones visitó, un lugar que describe de ensueño frente al mar, está encantado con la idea, al grado de que ha vendido su automóvil, pues quiere comprar una bicicleta, ya que las distancias que recorrerá ahora no serán muy extensas, situación que le ha hecho estar tan emocionado, haciendo más ejercicio, perdiendo peso, cambiando, cuando no dejando completamente amistades, entre muchas otras cosas más.

¡Sus hijos se quedan en shock! Le cuestionan: Pero, papá, ¿Cómo es posible que dejes todo por lo que has luchado? ¿Tu trabajo? ¿Tu jubilación? ¿La casa? ¿Nuestro patrimonio? ¿Ahora no podremos venir a visitarte? Y ¿Qué va a pasar cuando tengamos que cuidarte? ¿Si te enfermas? ¿Si te pones mal y estas lejos? ¿Pensaste en nosotros, cuando planeaste lo que quieres hacer? ¿Acaso  pensaste en tus nietos? ¿Dónde los vamos a dejar ahora entre semana?

Él les escucha atentamente y contesta que siempre, ellos y sus nietos, serán bienvenidos en su casa en la playa.

Solo una hija no habla, todos los demás opinan y opinan, hablan entre ellos, explican las razones del por qué tal o cual cosa es mejor que otra, hablan como si su padre no estuviera presente, “Es que él debe de…” Su hija rompe el silencio, se levanta y exclama, alzando un vaso lleno de agua:

 

“¡Salud papá, brindo por tu vida!”

 

Los primeros intentaban proteger la vida de su padre, para que tuviera vida, mientras que los segundos, precisamente, ese exceso de vida singular, les incomodaba, asustándoles, la decisión de su padre, les confrontaba en algo a cada uno. Pareciera más “cómodo” lidiar con un padre enfermo que con uno vivo y muy vivo. 



[1] Recordar, viene de re-cordis: re: volver, otra vez, cordis: corazón: volver a pasar por el corazón,  hacer del corazón memoria. Basta un instante para colocar un momento en una fotografía, más siempre hay algo que toda foto o video nunca podrán capturar, eso que se desplaza, se escurre y pide salir del cuadro, de lo cuadrado: el deseo,  amplificando, generando otras formas.
 
[2] Recordar, viene de re-cordis: re: volver, otra vez, cordis: corazón: volver a pasar por el corazón,  hacer del corazón memoria. Basta un instante para colocar un momento en una fotografía, más siempre hay algo que toda foto o video nunca podrán capturar, eso que se desplaza, se escurre y pide salir del cuadro, de lo cuadrado: el deseo,  amplificando, generando otras formas.

 


 

 

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¿Quién soy para ti?

 

Camilo E. Ramírez

 

Cada uno sabe el dolor y la delicia de ser lo que es

Teresa Genesini

 

La pregunta ¿quién soy para ti? Tiene en sí un doble interrogante entrelazado, que funciona como truco-expectativa: arribar al ¿quién soy? a partir de preguntarle a alguien ¿Para ti quién soy? En sí, se trata de responder una pregunta personal, tan personal como interrogarse sobre “el propio” ser, el sí mismo a través –y ahí la trampa- de preguntarle a otro, un semejante, quién soy, qué somos para tal o cual, es una ilusión imposible de responder: lo que soy para el otro nunca es –o puede agotar- eso que se es. Decimos trampa, porque la ficción del espejo es creer que eso que refleja el otro, es precisamente algo de lo más intimo/exterior que el otro supuestamente puede capturar, conocer, describir, lo que es. Diferente al hacer la experiencia de conectarse con una verdad, no un cálculo o respuesta establecida previamente, “Cada uno sabe el dolor y la delicia de ser lo que es” –como leemos arriba- que por la experiencia del dolor y la delicia, habría algo que reconocer más conectado con la verdad, con nuestra verdad.  

Creer que el otro puede responder mejor la pregunta de ¿quién soy? Y que puede formularlo en palabras, claras y entendibles, es creer que el otro puede conectarse y arribar a la verdad sobre mi ser, cosa que es por supuesto imposible, pues las palabras no lograrán capturar lo que se es, el ser –los humanos- vivimos eternamente ignorantes de lo que somos, de ahí que se siga creando, expandiendo, amplificando, precisamente por el desconocimiento, el vacío como causa, no como tragedia o impase, aquello que causa deseo, apuesta, riesgo.

Si por otro lado, lo “que soy para ti”, implica una definición, por lo tanto una reducción, una parcialidad, eso nos coloca en una posición-fija, donde el otro coloca como objeto a llenar la esperanza, ya que en el ¿Quién soy para ti? Está contenida igualmente la expectativa/petición, “lo que deseo es que tú seas para mí a condición de…” particularidad que, al ser descubierta, más de uno/a quizás si/no desearía participar, si/no querer encarnar/personificar para el otro. Con lo cual no habría garantía de responder a la pregunta de quién se es, por más que alguien se someta voluntariamente a la palabra/descripción/definición del estándar de lo que el otro dice que es, y haga de eso rutina y destino.

El conocimiento siempre está incompleto, algo le falta a las descripciones, definiciones, a los datos, de ahí interrogarse sobre el sí mismo, tomando como verdad una respuesta surgida en otro lugar (una teoría, diccionario, o forma de pensar/penar de no sé quién)  garantiza mantenerse en el desconocimiento de una cierta lógica humana subjetiva: lo incompleto de la respuesta, el vacío de certezas, se “llena” en un juego de creación, donde la singularidad de cada uno, funciona como elemento causa, potente para colocar esa inventiva en el mundo, “Invención y Responsabilidad” (Jorge Forbes) dos movimientos necesarios para responder a las inquietudes y problemáticas que alguien atraviesa sobre su ser, su vida: en lugar de responder genéricamente, haciendo lo mismo que otros hacen, buscando respuestas estilo recetas, libros de superación o manuales de auto-ayuda, quien entra en contacto con su singularidad, crea una solución, una salida singular, un objeto, algo que le permita resolver de manera singlar, responsabilizándose por lo creado.

La lección que da el psicoanálisis –aquel inventado por Freud y teorizado por Jacques Lacan- es que la verdad no es un concepto, no es un dato, un cálculo, una categoría; la verdad no es una descripción en un manual o un trastorno,  sino siempre es una historia, y no UNA historia, coherente, universal, donde cada sujeto es colocado y descrito en su singularidad desde una generalidad, al contrario, es siempre una historia de lo singular, que se resiste, que no cabe, que no puede ser incluida en la generalidad, sino que se despliega y expresa uno a uno, singularmente en una experiencia contingente, cómica.